terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mulheres, Armas e Heranças


Existem pessoas que quando de repente ganham uma herança familiar e pouco habituados a gerir dinheiro, gastam tudo em rodadas na tasca, máquinas no casino e em patuscadas com os amigos. Esquecem-se que a herança é a acumulação de trabalho e suor passado, que deve servir para construir algo melhor para as gerações seguintes.

Ora bem, perguntar-me-ão para que serve esta metáfora?

O Dia de Defesa Nacional arrancou ontem pelo país fora, com o intuito de aproximar as Forças Armadas dos jovens, com a particularidade de ser o primeiro ano em que passa a ser obrigatório também a presença das raparigas. É uma grande operação charme para melhorar as taxas de ingresso nas Forças Armadas: a predisposição de ingressar nas FA caiu de 52,8% (2007) para 38,9% (2009), de acordo com um estudo de Luís Baptista da Universidade Nova de Lisboa. Procurando a integração das mulheres nas FA, Portugal consegue hoje em dia ostentar o 4º lugar no ranking da NATO de maior participação de mulheres nas FA.

Tudo isto é motivo de celebração, na minha opinião. Um dos bastiões das masculinidade - a defesa - está aos poucos a se abrir às mulheres, para assim as FAs desempenharem um papel pro-activo na defesa da igualdade do género. E 'ponto final'.

Contudo, como a defesa de certos feminismos infelizmente se encontra sequestrada por uma esquerda esquizofrénica, qual é a reacção da UMAR, "União de Mulheres Alternativa e Resposta"? A UMAR discorda da necessidade de "haver um dia de defesa nacional com obrigatoriedade, coimas altíssimas e interdição de candidatura à função pública" em caso de não comparência. "É algo que não faz sentido quando a República não está em perigo, devia ser substituído por um dia com outros valores que não os belicistas", acrescentou a dirigente Manuela Gois.

É no mínimo ridículo, e no máximo pode ser contraproducente. Em vez de utilizar o legado do feminismo de maneira positiva, para criar equilíbrio entre os géneros, procura impor dogmaticamente a sua lógica esquerdista, e pior - ousando falar em nome de todas as mulheres portuguesas. É neste sentido que temos que olhar para heranças com responsabilidade e com credibilidade para que qualquer projecto possa ter futuro.

Questionar a legitimidade das FAs no actual cenário mundial ditado pela incerteza é altamente perigoso e só demonstra a agenda política que se esconde por detrás desta ONG, olhando só a conquistas e negligenciando os necessários deveres que acompanham todos os direitos.

Não me deixo representar assim enquanto mulher e até tenho pena de hoje não ter 18 anos para assim poder participar nas actividades do Dia de Defesa Nacional.

RB

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