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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Depois da Fome, o Prémio


O Parlamento Europeu tomou a decisão que se impunha, atribuindo o Sakharov deste ano ao dissidente Cubano Guillermo Fariñas. Se juntarmos mais algumas pressão internacional, mais as recentes e anormalmente lúcidas declarações de Fidel, acrescentando a abertura da administração Obama para um aliviar do embargo em troca de uma progressiva mudança constitucional, poderemos estar à beira de encontrar a solução para a "Palestina das Caraíbas". Ou seja, um regime insuportável, que desrespeita os preceitos fundamentais da liberdade, democracia e direitos Humanos, mas cujo embargo do seu vizinho democrático serve de arma de arremesso contra este último e todos aqueles que defendem o Estado de Direito, como que legitimando as más práticas vigentes na ditadura a quem se quer enfraquecer. NO MORE EXCUSES!(para que não hajam dúvidas, o Fariñas é o tipo da direita)


TF

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Na razão está a solução?


O 1º Ministro anunciou hoje a um abatido Portugal medidas de austeriade(grande ou pequena depende do analista, e do modelo de sociedade e de economia que preconiza)que prometem mudar a vida dos portugueses nos próximos...anos.Umas das raízes do problema tem certamente a ver com o início da crise internacional. Mas não pelas razões que «Sócrates e sus muchachos» advogam. O Governo, a reboque de alguns Nóbel de sala de aula(hello economia real!!!), e de uma opinião pública e publicada inculta e papagaia, chegou à brilhante conclusão que a solução para a recuperação da crise (ainda que a nossa fosse, na altura, distinta da Internacional) seria «injectar dinheiro na economia». Era Keynes que ressuscitava! Pois bem, o défice das contas públicas mais que quadruplicou ajudado, sejamos justos, por uma diminuição das exportações e do turismo (agravando o défice da balança comercial) decorrente da própria crise, e por razões essencialmente exógenas. Ninguém fala dessa "injecção" de dinheiro, para onde foi, para que serviu, o que salvou, e de que forma passou de conjuntural para estrutural. è que tenho dificuldade de acreditar no sobrenatural, principalmente no que se refere a humanidades como a economia. Ainda não vi ninguém falar, debater, escalpelizar este ponto. Pode ser um bom princípio...


TF

Nota: O FMI não vêm aí..já cá está. Chama-se "Conselho Europeu" (e também "EcoFin"). Sempre que se aproxima um... lá vem bomba!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Venus ...Ontem, Hoje e Sempre?

Já repararam que este vídeo, tendo mais de 40 anos, poderia ter sido feito na semana passada? Os instrumentos são iguais aos que se utilizam hoje, as roupas idem(até porque o "retro" está na moda) e a sonoriade não é datada, é perfeitamente contemporânea. Imaginem agora 20 anos antes deste video. Ele não poderia ter sido feito em 1949!Muito menos em 1929(40 anos, a mesma que nos separa). Na era da maior evolução tecnológica da História estagnámos culturalmente? Ou apenas conseguimos a vitória de não deixar o que é bom para trás(esquecido)?

TF

sábado, 18 de setembro de 2010

3 Verdades com 5 anos(ou Vidência pt. I).


Por Volta de Abril de 2005, pouco tempo depois de Sócrates ter ganho as eleições a Santana Lopes, Manuela Ferreira Leite(insuspeita de ser chamada de Santanista-ou Santanette) desmentia 3 dos baluartes eleitorais (que é como quem diz "promessas") do então novo líder Governativo. E à época nem imaginava que voltaria à política, tempos antes de ser forçada a ocupar o vazio deixado por L.F. Menezes. Taxativamente a dama de ferro clamava: « As Scuts vão passar a ser pagas (logo deixarão de ser Scuts), o Aeroporto e o TGV serão cancelados e o Governo vai aumentar impostos. Sócrates pode dizer o que quiser, mas não há dinheiro, qualquer cenário diferente é irrealista e não terá a anuência da CE». Mais coisa menos coisa, e relembrado de cabeça, foi isto que a mulher mais odiada do País disse. Depois de mais um puxão de orelhas em sede de Conselho Europeu, a seguir ao qual (e uma vez mais) Sócrates é obrigado pelos seus pares Europeus a deixar cair uma das suas utópicas bandeiras. Desta vez o TGV. Manuela, Tal como Medina Carreira, Ernani Lopes e outros não são, nem podem ser, o futuro do País. De resto até é irritante a forma cheia de soberba como falam das novas gerações e do futuro da Nação. O seu conservadorismo causa desconforto, e faz lembrar tempos que muitos não viveram. O pior é que provavelmente têm razão.
TF

País a Azul e Vermelho


Há 2 anos atrás preparava-me para umas férias em Itália. Conheceria nessa altura a "Cidade Eterna," Roma, a então "Cidade do Lixo", Nápoles (sempre é´melhor que o epíteto "Cidade Camorra") e ainda a fantástica «Scavi» de Pompeia. Confesso que a visão do Vesúvio me trouxe lembranças da minha amiga de infância Maga Patalógica. Além disso a minha relação com as Piz(z)as, nomeadamente as feitas na Madeira ficou profundamente alterada. Piz(z)as é como se faz em Itália e não se fala mais nisso. Contudo o que mais me fascinou foi a profunda cisão na sociedade Romana, e Italiana em geral, entre azuis e vermelhos. Ali não há meias tintas, ou se é bem à direita ou bem à esquerda. O Centrão, esse objecto híbrido, estranho e de valências várias ,de que nós somos especialistas, parece ser residual no País de Victor Emanuel. Há zonas na cidade claramente dos azuis, outras dos vermelhos. Quando precisei de ir à Esposizione Universali di Roma(EUR), bairro construido para albergar uma mostra do Império de Mussolini em 1942 (assim ao jeito da Exposição do Mundo Português), questionei algumas pessoas na rua acerca da sua localização. Percebia de imediato quem era "azul" e quem era "vermelho". Os primeiros diziam-no por extenso, e com a boca cheia de orgulho. Os segundos limitavam-se à sigla, já de si alterada do original "E42", com um olhar desconfiado ao estilo « mas que raio vai este tipo fazer àquela zona proibida?». Mesmo no Desporto as coisas são bem claras. Cada uma das Grandes cidades tem um Clube Azul (Nápoles, Inter,Lázio,Bréscia, Juventus - esta apesar de não equipar com a dita cor) e uma Vermelha(Milan, Roma, Torino, Réggiana, Livorno). Símbolos maiores dessa "luta" serão os avançados Lucarelli, do Livorno, que comemora os Golos com o punho esquerdo fechado, e Paolo di Canio, ex-Lázio, que comemorou algumas vezes com o braço direito estendido da saudação Fascista. De resto este último chegou a ser suspenso por efectuar este gesto(meses depois de ter ganho prémio fair-play da FIFA por ter atirado para fora a bola quando, a centimetros da linha de golo, percebeu o guarda-redes adversário lesionado), o que nunca aconteceu ao seu adversário comunista. Por fim a política: sabe-se que a itália tem um nível médio de administração pública de excelência,o que permitiu que o País prosperasse nos anos 80 e 90, quando os governos duravam uma média de 4-6 meses. Além disso a economia é verdadeiramente privada, competitiva, com empresas de referência verdadeiramente capitalizadas, em sectores vitais nas sociedades modernas como os transportes e a energia. Num País em que Gianfranco Finni já é visto como um moderado percebe-se a dimensão da "coisa". Berlusconi, apesar da imagem boçal que sustenta, teve(tem) o mérito de ter estabilizado um modelo governativo que parecia destinado à instabilidade constante. E personifica o que metade dos italianos também glorifica: o sucesso pessoal e empresarial, e a clareza de posições. Estranho é que um indivíduo com o perfil do ex-Presidente da CE Romano Prodi tenha sido duas (!!!!) vezes 1ºMinistro, cada uma das quais por cerca de dois anos. É que Prodi, nas suas meias tintas e preocupação excessiva com o politicamente correcto, introduziu uma nova cor, efémera, na cultura Italiana: o cinzento!
TF

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Lula, o da Silva, Esquerda, Direita... roubar!



A propósito deste vídeo, o qual classifiquei de degradante no Facebook, recebi um "ataque" de um grande amigo e primo, que me acusou de ser incapaz de reconhecer que «um "ex-operário com ideias de esquerda" pudesse operar uma revolução nas condições de vida de boa parte dos brasileiros», citando o The Economist. Além disso o meu primo alega que no vídeo apenas se constata que Lula é um político, mas que ao contrário dos outros não rouba. Respondi desta forma:

Mas que grande confusão vai na tua cabeça. Em 1º lugar não me custa nada que a política de esquerda, ou que a de direita, resulte. É de resto com grande satisfação que o constato quando tal acontece. Como vejo o espectro e nomenclatura pol...ítico-ideológica de uma forma distinta do vulgar «o meu clube é melhor que o teu» é sempre com agrado que registo quando as populações, os cidadãos, ou na sua concretização enquanto espaço de identificação comum, o Estado, seja ele qual for, consegue tirar dividendos de um qualquer projecto económico-social, utilizando como instrumento para tal uma determinada matriz política. Posto isto verifico alguma surpresa da tua parte por uma (alegada) metodologia de "esquerda" resultar. Não te sabia tão céptico. Na verdade as correntes ideológicas e filosóficas de esquerda foram, e são, fundamentais não só no necessário equilibrio da balança politica, partidária e institucional, como consagram importantes avanços nos direitos dos camponeses (1ª), mulheres (2ª), operários (3ª) e crianças (4ª) ou mesmo na autodeterminação dos povos. E naturalmente que não estou a falar das conquistas da segunda metade do séc. XX, mas sim dos avanços que a Inglaterra inspirou desde o séc. XVI até ao final do séc. XIX, como o Settlement Act, o Korn Laws e outra emendas constitucionais. Falar da Social-Democracia Alemã da 1ª metade do séc. XIX seria fastidioso, mas certamente concordarás que resultou num manual de pensamento e prática de maior abrangência democrática, proporcionando direitos às classes menos favorecidas, e culminando (por lógica evolutiva) num aumento da saúde económico-social dos países do centro da Europa. E como vês estou a evitar os clássicos Hegel, Rosseau, Marx ou Sartre, a quem dispenso citar o contributo na evolução ideológica (deveria dizer psicológica? mental? civilizacional?) do indivíduo e da sociedade. Voltando ao vídeo, e admitindo que o Lula tem essas virtudes todas que apontas (já lá vamos): isso invalida que seja degradante? e acrescento mais: demagógico! e ainda: desviante! Então um puto da favela gosta de jogar ténis e dois imbecis o desmotivam porque é "burguês"? E se fosse? Era melhor que o miúdo traficasse droga ou roubasse? Isso já não é "burguês"? E o que tem de "burguês" um desporto que se joga com uma raqueta que pode custar meia dúzia de patacos? E já agora o que é ser "burguês" no séc. XXI? Não faz o Lula vida de "burguês"? É de facto uma designação... degradante. Vamos às políticas do Lula e do PT. É simpático da tua parte considerá-las de esquerda, tendo em conta o processo de abertura às economias e capitais estrangeiros que o Governo do PT empreeendeu, dando seguimento ao começado no Governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). De facto Lula, e os seus detractores de "esquerda" confirmam, continuou as políticas de FHC em 3 sectores que impediam a descolagem da economia Brasileira (muito potente internamente, mas localizada no espetro social, e virtualmente inexistente no contexto externo): combate à corrupção (+ combate à economia paralela), capitalização da economia (carente de fundos, como de resto a nossa) e formação de quadros. Se estiveres mais atento à realidade brasileira verificarás (e agora até se torna bastante fácil com a pré-campanha presidencial) que os grande ataques ao "método Lula" vêm dos partidos de esquerda, alguns formados por ex-camaradas de Lula, que o acusam de traição. Outro exemplo simples e contemporâneo é o do negócio Vivo/PT/OI, onde Lula permitiu que num sector estratégico como as telecomunicações se entregasse a decisão a empresas estrangeiras. Se o maior operador móvel (VIVO) já estava, e continua, em mãos exteriores, o maior operador fixo e de cabo (OI) fica agora exposto ao acordo entre um accionista de referência estrangeiro (PT) e dois empresários independentes brasileiros, podendo afastar do centro das decisões o parceiro Institucional do Estado, o Banco Estatal de Fomento - BNDES. Parece-me neste caso um Lula bem mais fiel às leis do mercado, mais capitalista, liberal ou "direitista", se quiseres, do que Sócrates (visto por certa esquerda como um "infiltrado" das forças de direita). Também o facto de Lula, que durante tantos anos praguejou Davos, do alto do palanque de Belém/Portalegre, ter imediatemente abandonado os altermundialistas à sua sorte ao primeiro chamamento dos outrora por si insultados capitalistas da Globalização parece dar razão aos que o acusam de traição. Lula foi de facto mais longe que FHC no que diz respeito ao apoio à pobreza extrema, em programas do género do que chamamos aqui "Rendimento Social de Inserção". Sendo contra este último no nosso País, admito que face à conjuntura radicalmente mais grave e lacta do Brasil que tal o justifique. Mas é preciso não esquecer o trabalho que as Perfeituras e Governos Estaduais fazem nesse aspecto. O programa de limpeza de fazelas que está a ser feito no Rio, hoje com quase uma dezena de gigantescos Bairos de lata/Estados (que de facto o são, ou eram) livres do controlo dos traficantes, permitindo a que os jovens se dediquem aos estudos ou desporto invês de serem obrigados a traficar ou roubar, quebrando assim o ciclo da pobreza, é de importância... capital. Além de hercúleo, parece-me um trabalho tão ou mais importante do que o "Fome Zero" ou "Cestas Básicas". Por fim não posso deixar passar o «não rouba». Eu não sei se o Lula rouba, mas sei que o seu governo foi o protagonista do maior escândalo de corrupção da Democracia Brasileira - o Mensalão, superando o caso que valeu a distituição de Fernando Collor de Mello em inícios dos anos 1990. Enquanto neste último a família Collor "apenas" tinhas uma série de despesas pagas indevidamente por parte de empresas fantasma encabeçadas pelo então célebre Paulo César Farias, o que só por si constituiu um caso gravíssimo, com a já referida destituição, no caso do Mensalão tratava-se de uma enormíssima rede que utilizava dinheiro de empresas públicas para pagar a agentes do Estado, nomeadamente deputados, chorudas "mesadas" (daí Mensalão) para que fossem aprovadas medidas do seu interesse. Há 40 réus que, julgo, ainda esperam julgamento final. Podes falar que a corrupção aqui foi mais... democrática: em vez de roubar um roubavam muitos! Lula defendeu-se dizendo que nada sabia. Pior... tinha em alguns dos seus mais directos colaboradores virtuosos mafiosos e não se apercebeu. Neste caso, Luís, não há três opções. Só duas: ou o teu «ex-operário com ideias de esquerda» é um grande corrupto, ou é tão incapaz de governar que se pode fazer o que se quiser nas suas (lendárias) barbas. Corrupto ou burro? Escolhe...

TF

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Agarrem-me!!!!






Numa altura em que, quatro anos de doença e uma abdicação do cargo de Presidente depois, Fidel regressa com nova postura de estadista ( a propósito, em que qualidade discursou esta semana na Assembleia Nacional?), a sua caricatura acrescenta mais uns rabiscos ao já de si pobre desenho: Colômbia e Venezuela reataram relações depois do encontro presidencial com o recém empossado Juan Manuel Calderón. Cai assim por terra o corte diplomático e ameaça de Guerra declarado há coisa de um mês por Chavez (para os mais distraídos é dele que falo) com Maradona ao lado (já imaginaram Bush declarar guerra ao Iraque com Pelé a ladeá-lo?), acusando o cessante Álvaro Uribe das mais viltres manigâncias. De facto, ameaçar um País com um conflito sangrento, ainda mais o seu mais importante vizinho(mais que o Brasil) de quem se depende há décadas culturalmente e , em parte, economicamente semanas antes do seu Chefe de Estado e de Governo deixar o cargo, deixa a ideia daqueles corajosos que ao verem um inimigo dizer adeus num navio que se afasta do cais gritam «agarrem-me senão bato-lhe...Agarrem-me!».
É por outro lado um acordo demasiado rápido, porque conseguido com um ex-membro do Executivo de Uribe, ainda mais tendo ocupado a pasta da Defesa Nacional, sendo improvável uma mudança substancial no que diz respeito às exigências da parte Colombiana para que Caracas deixe de ser complacente (sendo simpático) para com as FARC, ELN e outros movimentos que utilizem a ideologia como pretexto para traficar.
Fidel não disse, mas poderia ter dito:« Todo el Hombre tiene su Sierra Maestra». A de Chavez é, infelizmente, bem baixinha.


TF

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Màrio Bettencourt Resendes, a Ilha e Macau




Mário Bettencourt Resendes morreu. Além de eterno director do DN era também um consagrado e escutado opinador da República. Nunca escondeu o seu perfil ideológico, nem o partido com o qual mais se identificava. Talvez pelo tempo que passou com Soares em Paris, talvez devido às lutas académicas, talvez devido ao já centenário espirito Republicano de índole social democrata dos intelectuais Açorianos. Conseguia contudo destinguir a ideologia das ideias. Era um moderado, procurando ser uma voz independente, ainda mais reforçado pelo facto de não encapotar a sua matriz ideológica. Gostava de o ouvir e ler, pois sabia que ele sempre procuraria a razoabilidade em vez do frete, a análise concreta em vez da defesa do indefensável. Nos dois últimos anos da sua doença, quando fisicamente se encontrava debelitado a "olho nu", terá perdido alguma dessa independência, tornando-se mais acintoso e quiçá mais partidário. A sua insularidade estava nos genes, e nunca o escondeu. Foi particularmente duro com Cavaco quando este se opôs ao Estatuto Politico-Administrativo dos Açores, posteriormente confirmado pelo Tribunal Constitucional. Era portanto um autonomista. Tanto que , tal como inserto no vetado Estatuto, considerava que o Parlamento Açoriano deveria depender menos da Presidência da República do que a AR. Curiosamente este é o mesmo homem que, segundo confessou publicamente, teve como um dos desgostos da sua vida o facto de não ter sido nomeado Governador de Macau. A sua proximidade com Soares ter-lhe-ia porventura podido proporcionar tal desiderato. Talvez fosse demasiado jovem para o fazer em 1991 quando Rocha Vieira (curiosamente um ex- Ministro da República dos Açores) foi indigitado último Governador do território Chinês sob administração portuguesa. Talvez quisesse que Soares o colocasse no cargo aqundo da sua saida da Presidência. Quem sabe? O interessante é como um vigoroso ilhéu e autonomista tinha como sonho de vida ser o símbolo do último baluarte do império. Um autonomista imperialista?Um contra-senso? Como defender algo e por um lado sonhar com o simbolo oposto? Não, não é crítica, nem simpático seria fazê-lo tão poucos dias após a sua morte. É até compreensivel, e nem será caso virgem. No fundo são as dinâmicas do poder, que movem os homens , as sociedades. Pode um autonomista tornar-se Imperialista? Pode. E um imperialista tornar-se autonomista? Também. E pode ser as duas coisas ao mesmo tempo? Sem dúvida. O importante é, como fez Bettencourt Resendes, dizê-lo claramente.
TF