sábado, 19 de novembro de 2011

Tertúlia com Raquel Coelho (PTP) 18/11



Animada tertúlia com a recém-eleita deputada e lider parlamentar do PTP na ALM, no início da sua vida política regional. Falamos sobre diferentes perspectivas sobre os jovens na política, o papel de ideologias neste mundo em constante mutação, e no que um indivíduo pode fazer proactivamente para deixar o seu cunho na sociedade. 18/11/2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O mito de Perséfone


Persephone the Wanderer, by Louise Glück
(Averno, 2006)


«In the first version, Persephone
is taken from her mother
and the goddess of the earth
punishes the earth—this is
consistent with what we known of human behavior,

that human beings take profound satisfaction
in doing harm, particularly
unconscious harm:

we may call this
negative creation.

Persephone’s initial
sojourn in hell continues to be
pawed over by scholars who dispute
the sensations of the virgin:

did she cooperate in her rape,
or was she drugged, violated against her will,
as happens so often now to modern girls.

As is well known, the return of the beloved
does not correct
the loss of the beloved: Persephone

returns home
stained with red juice like
a character in Hawthorne—

I am not certain I will
keep this word: is earth
”home” to Persephone? Is she at home, conceivable,
in the bed of the god? Is she
at home nowhere? Is she
a born wanderer, in other words
an existential
replica of her own mother, less
hamstrung by ideas of causality?

You are allowed to like
no one, you know. The characters
are not people.
They are aspects of a dilemma or conflict.

Three parts: just as the soul is divided,
ego, superego, id. Likewise

the three levels of the known world,
a kind of diagram that separates
heaven from earth from hell.

You must ask yourself:
where is it snowing?

White of forgetfulness,
of desecration—

It is snowing on earth; the cold wind says

Persephone is having sex in hell.
Unlike the rest of us, she doesn’t know
what winter is, only that
she is what causes it.

She is lying in the bed of Hades.
What is in her mind?
Is she afraid? Has something
blotted out the idea
of mind?

She does know the earth
is run by mothers, this much
is certain. She also knows
she is not what is called
a girl any longer. Regarding
incarceration, she believes

she has been a prisoner since she has been a daughter.

The terrible reunions in store for her
will take up the rest of her life.
When the passion for expiation
is chronic, fierce, you do not choose
the way you live. You do not live;
you are not allowed to die.

You drift between earth and death
which seem, finally,
strangely alike. Scholars tell us

that there is no point in knowing what you want
when the forces contending over you
could kill you.

White of forgetfulness,
white of safety—

They say
there is a rift in the human soul
which was not constructed to belong
entirely to life. Earth

Asks us to deny this rift, a threat
disguised as suggestion—
As we have seen
in the tale of Persephone
which should be read

As an argument between the mother and the lover—
the daughter is just meat.

When death confronts her, she has never seen
the meadow without the daisies.
Suddenly she is no longer
singing her maidenly songs.
about her mother’s
beauty and fecundity. Where
the rift is, the break is.

Song of the earth,
song of the mystic vision of eternal life—

My soul
shattered with the strain
of trying to belong to earth—

What will you do,
when it is your turn in the field with the god?»

terça-feira, 12 de julho de 2011

90t/s








... Did you know that you can hear my heartbeat in the flutter of the hummingbird's wings? ...










Ernst Häckel, Kunstformen der Natur, 1899

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tertuliando com José Manuel Rodrigues - Ideologias...

Com o nosso convidado José Manuel Rodrigues (presidente do CDS/PP da Madeira) abordamos o papel das ideologias na presente campanha eleitoral, a evolução ideológica de certos partidos, face à estagnação de outros, sem deixar uma incursão pela actual crise política e económica em Portugal. Que políticos queremos: lideres carismáticos de soundbites ou tecnocratas de perfil académico/profissional?
Muitas perguntas e um excelente debate, mesmo se as dúvidas continuam por resolver!


Tertúlia com Convidado: José Manuel Rodrigues (CDS/PP) - Parte I from Caixa de Pandora on Vimeo.



Tertúlia com Convidado: José Manuel Rodrigues (CDS/PP) - Parte II from Caixa de Pandora on Vimeo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Entrevista com Morais Sarmento: Os partidos e os cidadãos.


Excelente Entrevista com Morais Sarmento o acelarado processo de caducidade das Instituições, e de como os partidos, não se sabendo abrir e renovar aos novos paradigmas, acabam por cortar a "ligação à terra".

terça-feira, 29 de março de 2011

A menina e as árvores

Desliza descalça, a menina princesa na noite escura. Elege o tacto como sentido norteador predilecto, navegando os corredores, as escadarias e o mármore morto. Mal os seus pés tocam a frescura do chão, a sua alma desce para ficar mais perto da frequência da força telúrica, sabendo que as plantas dos seus pés são receptores da amenidade do silêncio da casa que dorme.
A menina sente este colosso no seu sono nocturno, inspirando e exalando uma amálgama de tijolos, cadeiras, almofadas, colheres, pessoas - todos juntos a dormir em uníssono enquanto a menina deriva pelos seus cantos e pelas suaves curvas da casa. Ela sabe que é a única menina acordada nesse preciso momento enquanto o universo sonha diferentes paralelos. Espectadora do mundo, facto que a afaga, actuando como Chopin para a sua alma.
Afasta dois dedos da cortina e sente o vento que num eterno vai-vem acaricia as árvores e o sopé da janela. E numa dessas brisas, as árvores sussurraram-lhe um segredo: tal como a alma da menina residia na planta dos seus pés, também o ser das árvores está depositado nas raízes das árvores.
De facto a menina já tinha constatado que algo de estranho se passava com as árvores da sua terra, mas só no mundo da noite percebeu o motivo.
A terra cuspia-as recusando envolver as suas raízes no seu aconchego do solo. Caiam desalmadas, abandonadas, rejeitadas no seu ser. Outras como as palmeiras, eram decapitadas porque albergavam no seu seio um bichinho que as tornava ocas. Perdiam raízes e perdiam os seus sonhos. O elo entre os seres estava em ruptura: ninguém queria continuar a acolher o outro.
Reconfortada por não ser árvore neste mundo, a menina plantou os pés no frio da casa escura, feliz por sentir, feliz por saber que ela estava a salvo destes fenómenos pois todas as noites treinava o seu tacto e cultivava a sua alma nos pés. Suspirou, fechou os olhos e uniu-se à casa entorpecida, à miscelânea de almas. Ao menos por algumas horas, pensou a menina.

RB

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um Conto de Natal

É uma tradição alemã partilhar contos de Natal nesta época do Advento, e por isso decidi traduzir do alemão um belíssimo conto de Bertolt Brecht para que o aconchego intimista que tanto prezo no Natal também passe pelo nosso blog e pelos nossos pandorianos. Aproveito assim para vos desejar a todos um Santo Natal!
(RB)


"O embrulho do amor de Deus", Bertolt Brecht

Puxem umas cadeiras e tragam os vossos chás quentes para aqui, por detrás do fogão e não se esqueçam do rum. É bom estar quente quando se conta histórias do frio.

Algumas pessoas, especialmente aqueles homens que têm alguma coisa contra o sentimentalismo, têm uma forte aversão ao Natal. Mas houve pelo menos um Natal na minha vida que realmente ficou vivo na minha memória. Era véspera de Natal de 1908 em Chicago. Eu vim para Chicago no início de Novembro, e quando eu perguntei pelas vida nessa cidade, fora-me dito que este seria um inverno tão rigoroso, que tornaria ainda pior as condições de vida nesta tão desagradável cidade. Quando sondei por um emprego como caldeireiro, foi-me dito, que caldeireiros não tinham nenhuma chance, e quando eu procurei um lugar para dormir minimamente habitável, tudo era muito caro para mim. E muitas pessoas, de várias profissões, vivenciaram o mesmo, nesse difícil inverno de 1908 em Chicago.


Durante todo o mês de Dezembro, o terrível vento soprava do lago Michigan e nessa altura fecharam muitas fábricas, lançando uma avalanche de desempregados para as frias ruas.
Percorríamos todos os bairros, procurando desesperadamente por algum trabalho e ficávamos contentes quando à noite, juntamente com outras pessoas esgotadas, nos congregávamos num pequeno bar no bairro dos matadouros. Lá pelo menos estávamos quentes e podia-se ficar calmamente sentados. E, com sorte com um copo de uísque, que se enchia com calor, ruído e os camaradas, tudo aquilo que restava de esperança. Nesse ano e nessa véspera de natal então, estavamos sentados nesse bar que estava mais cheio que normal, e o whisky mais diluído que o costume e os fregueses ainda mais desesperados. É óbvio que nem o público nem o proprietário animavam para um clima festivo. (...)

Mas por volta das dez horas entraram três rapazes que – sabe-se lá como! - tinham alguns dólares no bolso e que convidavam para uma rodada geral, pois era apenas Natal e o sentimentalismo estava no ar. Cinco minutos depois, o lugar inteiro estava irreconhecível. (...)

Contudo, acho que devido à compulsão de presentear todos, incitou-se alguma irritação. Os doadores deste espírito de Natal não foram vistos de olhos amigáveis. Após o primeiro copo de uísque patrocinado, foi traçado um plano de verdadeira dádiva de presentes de Natal.

Uma vez que não abundavam artigos para usar como presentes, era mais lógico utilizar presentes adequados às pessoas e até com algum significado profundo, em vez de presentes de valor material.

Então, nós demos ao proprietário do bar um balde de neve suja da rua, para que o velho whisky pudesse durar – aguado e diluído – até ao ano novo. Ao empregado oferecemos uma lata velha de conserva, assim tinha pelo menos um recipiente de serviço decente. (...)

Estava entre nós um homem que se destacava entre nós pela negatividade, pois estávamos que tinha um grande ponto fraco. Todas as noites estava lá sentado e as pessoas percebiam e acreditavam com segurança que ele tinha uma forte e intransponível aversão a tudo o que tinha a ver com a polícia. Todo o mundo podia ver que ele não estva metido em bons lençois.

Para este homem, nós pensamos em algo muito especial. Rasgamos três páginas de um velho livro de endereços, onde figuravam os contactos de diversos postos da polícia, embrulhamos cuidadosamente numa folha de jornal e entregamos o pacote ao nosso homem.

Enquanto entregávamos o embrulho pairou um grande silêncio na sala. O homem hesitantemente pegou no presente e olhou para nós de soslaio com um sorriso ligeiramente amarelado. Apercebi-me como ele sentia o embrulho com os dedos, de forma a determinar o conteúdo ainda antes de o abrir. (...)

E então algo muito estranho ocorreu. O homem puxou no barbante que fechava o "presente", quando o seu olhar, aparentemente ausente, caiu sobre a folha do jornal que albergava as páginas do livro de endereços da polícia. De repente o seu olhar já não era ausente. Todo o seu corpo magro contorceu-se com o jornal, ele inclinou seu rosto para o fundo da folha, e leu. Nunca, nem antes nem depois, vi um homem ler assim. Ele simplesmente engolia o que leu. E então ele olhou para cima. E novamente eu nunca, nem antes nem depois, vi um olhar tão brilhante como o olhar deste homem.

"Acabei de ler no jornal", disse ele de pé com uma voz enferrujada dolorosamente quieta, contrastando com o ridículo do rosto radiante, "que todo o meu problema simplesmente fora resolvido há muito tempo. Toda a gente sabe, em Ohio, que eu não tenho nada a ver com o sucedido" E então ele ria-se.

Todos nós ficamos impressionados pela reacção do homem pois esperavamos outra, e quase todos perceberam que o homem tinha estado sob alguma acusação, e agora, tal como aquela folha de jornal o explicou, ele tinha sido absolvido. De repente eclodiram risos pelo bar, e esses risos partiam dos corações das pessoas, o que acabou por conceder um balanço positivo à nossa acção, esquecendo-se toda a amargura inicial, e vivemos um excelente Natal, que durou até de manhã, todos nós satisfeitos.

Nessa satisfação geral, é claro, não importou sequer que aquela folha de jornal libertadora não tivesse sido escolhida por nós, mas sim por Deus.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Diálogo 3

Anti-Profeta - Que achas daquilo que o Papa disse sobre o preservativo?
Profeta - Como é possível usar Papa e preservativo na mesma frase? Foda-se...
A.-P. - Não estou certo de que essa seja a linguagem mais apropriada, tendo em conta os nossos potenciais ledores...
P. - A mim ninguém me paga para ser liso.
A.-P. - Lido, queres tu dizer.
P. - Não. Liso.
A.-P. - Mas se nos dão acesso a esta tribuna, sempre podemos ser mais educados e...
P. - Estou a borrifar-me para isso!
A.-P. - Bem, ok. Mas que achas?
P. - Sobre o quê?
A.-P. - Sobre o que disse o Papa!
P. - Para mim era pegar nessa padralhada toda e...
A.-P. - 'Tou a ver que hoje não dá para falar contigo!
P. - Passa-me daí o entrecosto para pôr aqui na brasa.
A.-P. - ...
P. - Acho bem.
A.-P. - Achas bem o quê?
P. - O que disse o Papa.
A.-P. - ?
P. - Exactly, my looser friend.
A.-P. - Onde é que aprendeste inglês?
P. - States.
A.-P. - Achas bem? Ou tardio? Ou ainda pecando por defeito?
P. - Não. Ninguém pede a um carvalho para dar castanhas.
A.-P. - Não percebi.
P. - Não percebeste que és burro.
A.-P. - Pensava que, como contestatário de esquerda que és, que achavas, como muitos, que a posição do Vaticano sobre o preservativo - e tendo em conta a disseminação da Sida em África, em especial - era nada menos do que criminosa.
P. - Estou a ficar velho.
A.-P. - ...
P. - E desde que te aturo que envelheço mais.
A.-P. - Mas como assim?
P. - You're a pain in the ass.
A.-P. - Não! Como achas bem o que disse Bento XVI?
P. - A Igreja faz incidir a sua estratégia na abstinência; depois na fidelidade; e no fim no preservativo.
A.-P. - Acho que é a primeira vez que te ouço dizer estratégia sem ser a brincar.
P. - Lê o texto de novo.
A.-P. - Como?
P. - Esquece.
A.-P. - Não achas isso desfasado da realidade?
P. - Não.
A.-P. - ...
P. - Dar azo aos desejos carnais, dar azo sobretudo aos desejos, faz uma pessoa sumir-se como pó ao vento.
A.-P. - Isso é pouco revolucionário.
P. - Estás enganado my loser friend. Isso, hoje, é o que há de mais revolucionário.

FS